Conexão mundial

CONEXÃO MUNDIAL
Médica, professora, atleta, doutoranda, mãe de três filhos adolescentes. Dá canseira até de enumerar as atividades da catarinense Giselle Xavier. O surpreendente é que sobra tempo – e muito – para o cicloativismo. Com tudo isso, ela ainda dedica no mínimo 20 horas semanais para as articulações políticas, normalmente entre ONGs do mundo inteiro com que tem contato. “Muita gente gosta de pedalar, mas não tem paciência de levar isso como uma política de defesa da cidadania. Não adianta, nós precisamos da política para mudar nossas cidades”, diz.

Giselle está nessa causa desde 1997, quando era professora da Universidade Estadual de Santa Catarina e criou o Pedala Floripa, passeio anual que percorre toda a cidade. Isso porque, pouco tempo antes, ela se apaixonou pela bicicleta ao perceber que era um ótimo instrumento para perder peso – além de ser muito mais prazeroso que as enfadonhas caminhadas diárias. O problema era o trânsito: ela ficava assustada ao perceber as limitações da bicicleta por falta de espaço nas ruas. “Não tinha como estimular meus alunos a pedalar com esse trânsito”, diz. Foi então que Giselle desandou a fazer campanhas, a criar grupos e associações e a buscar parcerias estrangeiras.

Hoje ela é praticamente uma embaixatriz brasileira das duas rodas lá fora. Seus grupos Via Ciclo e Ciclo Brasil estão constantemente em contato com organizações estrangeiras, principalmente holandesas, além de articular com os principais grupos da América Latina. “Foi em congressos e contatos no exterior que fi rmei a idéia de que pedalar é mais que um exercício físico, é um meio de transporte”, conta.

O assunto é tão apaixonante que ela tratou de organizar uma tese de doutorado sobre o tema. Giselle se perguntava por que o cicloativismo é tão difícil de ser colocado em prática se é tão óbvio que a bicicleta é um meio de transporte melhor. “Acontece que as cidades foram sendo planejadas para os motorizados, seguindo uma lógica de mercado. Foi todo um processo de desenvolvimento que deteriorou nossa qualidade de vida”, diz ela, no desenvolvimento da tese. “A via é pública, não é apenas para carros particulares. Como um carro pode ficar estacionado ali, ocupando aquele espaço todo?”

Giselle se orgulha de ver que sua briga tem dado certo. Segundo ela, há hoje cerca de cinco obras de ciclovias e ciclofaixas em andamento na capital catarinense. Ela adora pedalar – às vezes, vai e volta pelo menos quatro vezes por dia da universidade para casa de bicicleta –, mas confessa que ainda não conseguiu convencer toda a família a aderir à causa. O marido e os fi lhos, vez por outra, se rendem ao carro. “Nós usamos todos os meios de transporte”, resume.

Giselle Xavier, 45
Promoveu o primeiro encontro de cicloativismo no Brasil, em 2003. Faz parte de programas nacionais e internacionais de apoio à bicicleta.

Anúncios

Sobre saxmozartfaggi

Ciclista desde 1974, por gostar de ser ciclista, mas em minha cidade não era difícil percorrer 10 a 15km com montanhas que são predominantes, mas o único impecílio era a irresponsabilidade dos motoristas. Dá para se ir ao seu emprego de bike, basta apenas ter um pouquinho de tempo a mais e uma roupa para trocar. Muitos já trocaram o carro pela bike, por ser econômica, gasósa e academia, e por as vezes, serem melhores para estacionar e ir de um ponto a outro... isso é fato. Demoro 25min para chegar ao centro de SBC, mas depois que lá estou, qualquer caminho para mim é mais rápido do que um carro, menos perigoso que uma moto, isso é fato!
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s