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O HOMEM QUE CALCULAVA
Há bem pouco tempo, um respeitável senhor pedalava pelas ruas de Santos, no litoral de São Paulo, quando levou um belo tombo ao passar em uma valeta. Não havia sinalização nem cavalete, e por isso o ciclista caiu dentro do buraco. Resultado: uma fratura no dedo do pé esquerdo. “Fiz boletim de ocorrência, pois quero que isso apareça nas estatísticas de acidentes de trânsito’’, afirma. A ironia é que o ciclista em questão era Rubens de Oliveira Braga, presidente da Ciclosan (Comissão de Assuntos Cicloviários de Santos). Aos 72 anos, Rubens dedica boa parte de seu tempo a uma fatia bem específica do cicloativismo: os números. Mais especificamente às estatísticas.

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Aposentado da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), ele aprendeu a dominar os cálculos quando trabalhou no setor de qualidade da empresa. Depois de se desligar da empresa, achou que estava na hora de colocar essa habilidade em prática para ajudar a melhorar o trânsito. “Sabe, eu fui educado andando de bicicleta. Passei minha infância pedalando. E nunca deixei meus filhos fazerem o mesmo por medo da insegurança no trânsito. Isso não é justo”, diz.

Rubens recorda que, logo que se aposentou, ficava olhando para a geografia de Santos, para a quantidade de trabalhadores que ele via passando de bicicleta, e pensou em propor um sistema cicloviário. Mas antes era preciso montar uma estatística sobre os acidentes. Ele se juntou com outros aposentados e fundou a Ciclosan, em 1997.

O principal espanto do veterano foi perceber, numa visita à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), em 2000, que não havia separação entre um registro de atropelamento e um de acidente de bicicleta. Sequer havia um formulário para isso. Foi a partir daí que ele resolveu fazer esse levantamento. Passou a mapear dados como a idade dos ciclistas, os locais e datas dos acidentes. Seus dados serviram de base para projetos de ciclovias da prefeitura e são referência na CET.

“Descobri que 82% dos acidentes com ciclistas envolvem ônibus e caminhões. Ou seja: passamos a fazer campanhas nas empresas desses veículos.” Ele acredita que o ciclista, na tentativa de fugir do perigo, acaba fazendo contravenções no trânsito, o que também só piora a situação. “Infelizmente, Santos ainda não tem boas condições de segurança para o ciclista”, afirma.

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Mesmo assim, Rubens segue pilotando sua bicicleta – apesar das advertências da mulher e dos filhos, que ficam preocupados. E ainda toma alguns sustos, como aquele da valeta. “Uma vez, um ônibus me fechou, eu me joguei no chão. O motorista nem quis saber, não me socorreu”, diz, chateado. “Quero continuar pedalando, pois preciso sentir na pele o que os trabalhadores que todo dia vão para o trabalho de bicicleta sentem”, afirma.

Rubens de Oliveira Braga, 72
Foi o primeiro a fazer estatísticas de acidentes com ciclistas no Brasil. Faz parte da sociedade brasileira de trânsito, da Agenda 21 e do Ibama.

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Sobre saxmozartfaggi

Ciclista desde 1974, por gostar de ser ciclista, mas em minha cidade não era difícil percorrer 10 a 15km com montanhas que são predominantes, mas o único impecílio era a irresponsabilidade dos motoristas. Dá para se ir ao seu emprego de bike, basta apenas ter um pouquinho de tempo a mais e uma roupa para trocar. Muitos já trocaram o carro pela bike, por ser econômica, gasósa e academia, e por as vezes, serem melhores para estacionar e ir de um ponto a outro... isso é fato. Demoro 25min para chegar ao centro de SBC, mas depois que lá estou, qualquer caminho para mim é mais rápido do que um carro, menos perigoso que uma moto, isso é fato!
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