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Os cicloativistas lutam todos os dias para que a bicicleta seja mais que um meio de transporte – Eles querem que seja vista

CICLOATIVISTAS
Muitas das pessoas que você vai conhecer nas próximas páginas são amigas umas das outras. Mais que compartilhar uma idéia, elas se telefonam, se encontram, conversam sobre a vida. Algumas, como Thiago Benicchio, por exemplo, não gostam de ser chamadas de cicloativistas. Mas é exatamente o que são. Há pelo menos uma década, boa parte desse grupo dedica seu tempo livre a divulgar a possibilidade da bicicleta como meio de transporte.

Paralelamente, trabalham em campanhas de educação dos motoristas e movimentos de conscientização. A maioria é brasileira e atua no Brasil. Mas, para abrir essa série de histórias de gente que se sacode para promover as bikes, não podíamos deixar de citar o pioneiro dos pioneiros, um holandês que está nessa desde os anos 60.

Então, siga adiante. Ao ler sobre esses personagens, você pode descobrir que pedalar é muito mais que uma forma de se locomover. É algo que dá prazer e provoca inevitavelmente um sorriso no rosto.

O INVENTOR DAS BIKES PÚBLICAS
Muito mais que um cicloativista, o holandês Luud Schimmelpennink sempre foi um homem da contracultura. Preocupado com o meio ambiente e com o crescimento desenfreado da sociedade de consumo, ele chamou alguns amigos e, juntos, formaram o grupo Provo – originário da palavra provocação –, nos idos da década de 1960. A idéia deles era provocar a atenção das autoridades sem o uso de nenhuma violência – e, se possível, com uma dose de bom humor.

Em 1964, Ludd e os Provos estavam muito preocupados com o caos no trânsito de Amsterdã. Propuseram ao governo um projeto de fechar o centro da cidade para veículos particulares, o que aliviaria 40% do tráfego. Para ajudar a população, mais de 20 mil bicicletas seriam distribuídas pelas ruas, para serem compartilhadas.

A proposta foi negada pelas autoridades, mas Ludd resolveu ir adiante mesmo assim. Traçou e colocou em prática aquilo que se tornou o mais importante manifesto dos Provos: o Plano das Bicicletas Brancas. Ludd, que já era designer, imaginou toda uma história: pintar 50 bicicletas de branco e espalhá-las por toda Amsterdã. Elas poderiam ser usadas por qualquer pessoa, desde que as devolvessem depois. A polícia reagiu com firmeza, retirando todas as bicicletas de circulação, sob a alegação de que elas não poderiam ficar soltas, sem cadeados.

Os Provos recolheram e colocaram trancas com as combinações do cadeados escritas nas próprias bicicletas. O plano não chegou a durar longos anos, mas foi tão bem-sucedido que serviu de base para o que hoje conhecemos como bicicletas comunitárias, também conhecidas como bicicletas públicas ou de aluguel, em voga nas principais capitais européias.

Ludd continuou seu trabalho de conceber idéias para reduzir a poluição nas cidades. Logo depois do Plano das Bicicletas Brancas, foi a vez dos Carros Brancos. Ele criou um novo conceito automobilístico, o “Witkar”, um pequenino veículo elétrico, não poluente – e pintado de branco, claro. A cooperativa do Witkar abriu em 1968 e continuou funcionando até 1986, quando faliu ao precisar de políticas públicas para sua produção em grande escala.

Ludd não desistiu e continuou trabalhando como designer industrial. Criou novos modelos para bicicletas, softwares para aliviar o trânsito e uma versão moderna para as bicicletas brancas: o Cartão Inteligente, que permite a retirada e a devolução das magrelas via computador. Atualmente, o sistema é usado na Holanda.

A partir dos anos 2000, Ludd entrou para a política de verdade: foi eleito vereador pelo Partido Trabalhista Holandês – sua principal plataforma é a continuação do projeto do “Witkar”, além da ampliação das bicicletas comunitárias em Amsterdã. Desde 2007, ele é diretor da empresa holandesa Ytech Innovation Centre.

Luud Schmmelpennink, 73
Esteve à frente do plano das bicicletas brancas em Amsterdã, nos anos 1960. Foi a inspiração para as bikes comunitárias de hoje.

LAÇOS DE FAMÍLIA
Renata Falzoni e Arturo Alcorta não são exatamente primos de primeiro grau. Têm, sim, um parentesco um tanto distante. Sabe aquela coisa primo do primo do primo? Pois é. Mas, na vida real, eles são como irmãos de sangue: cresceram juntos e pedalam juntos até hoje. Aonde um vai, o outro vai atrás – ou ao lado.

Aos 55 anos, Renata é hoje sinônimo de ativismo em duas rodas. Jornalista, atleta, produtora e videorrepórter, ela saiu na frente. Passou a deixar o carro em casa em 1974. Na época, a então estudante de arquitetura da USP fazia questão de ir para todos os cantos da cidade de São Paulo de bicicleta. Entre as décadas de 1970 e 1980, fazia expedições e se envolveu com a militância política contra a ditadura. Ela causava estranhamento ao levantar o assunto bicicleta como meio de transporte nas reuniões.

“Eu escutava: o mundo está morrendo de fome e você vem falar de bicicleta?” Foi só então que ela percebeu que precisava agradar as elites: mostrar que pedalar era chique, glamouroso. Fundou os Night Bikers, em 1989, considerado o primeiro passeio noturno de bicicleta organizado do Brasil. Adivinha quem estava ao seu lado, como guia dos participantes? Arturo, claro. Ele era a figura que oferecia segurança e organizava o passeio. Enquanto Renata investia na mídia, ele esteve o tempo todo ao lado dela, pensando na parte técnica do negócio.

“O pessoal queria se divertir, mas eu pensava em propostas efetivas para a bicicleta se tornar realmente um meio de transporte seguro. Eu queria discutir a qualidade das bicicletas, projetos, a técnica”, lembra ele, que, ironicamente, vem de uma família de automobilistas – seu pai foi quem trouxe os primeiros bugues para o Brasil. Enquanto isso, Renata atacava pelo outro lado. “Com o Night Bikers, eu pretendia conquistar a simpatia dos motoristas de carro que saíam à noite de bike conosco. Assim, quem sabe eles passariam a respeitar as bicicletas”, diz.

“Se você não pode deixar o carro em casa, então ajude quem pode. Respeite o ciclista quando estiver na direção”, dizia. Em janeiro de 1998, Renata liderou a comitiva de ciclistas da Campanha Bicicleta Brasil, Pedalar É um Direito, e pedalou de Parati até Brasília para reivindicar ao então presidente Fernando Henrique Cardoso o cumprimento do novo Código de Trânsito Brasileiro.

Os dois reclamam dos preconceitos que sofreram a vida inteira por estarem de bicicleta e não de carro. Arturo conta que, certa vez, foi de bicicleta entregar um documento numa multinacional a pedido de seu pai. Foi barrado no estacionamento e ouviu a seguinte frase: “Se estivesse de carro, entrava”.

Atualmente, Renata e Arturo trabalham juntos no programa Bike Repórter, da rádio Eldorado. Eles dão notícias de trânsito enquanto pedalam por São Paulo. E Arturo dedica-se a uma nova profissão: ensinar pessoas a andar de bicicleta. “Meu maior presente é ver pessoas já com idade avançada perdendo o medo e pedalando livremente”, diz.

Renata Falzoni, 55 e Arturo Alcorta, 53

 

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Sobre saxmozartfaggi

Ciclista desde 1974, por gostar de ser ciclista, mas em minha cidade não era difícil percorrer 10 a 15km com montanhas que são predominantes, mas o único impecílio era a irresponsabilidade dos motoristas. Dá para se ir ao seu emprego de bike, basta apenas ter um pouquinho de tempo a mais e uma roupa para trocar. Muitos já trocaram o carro pela bike, por ser econômica, gasósa e academia, e por as vezes, serem melhores para estacionar e ir de um ponto a outro... isso é fato. Demoro 25min para chegar ao centro de SBC, mas depois que lá estou, qualquer caminho para mim é mais rápido do que um carro, menos perigoso que uma moto, isso é fato!
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